Em que você deve (e não deve) se concentrar antes de uma entrevista de emprego

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Em que você deve (e não deve) se concentrar antes de uma entrevista de emprego

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Por: Karen Dillon

Anos atrás, quando eu seria entrevistada para o cargo de editora-adjunta da Harvard Business Review, eu pensei que tinha cuidadosamente me preparado para o meu dia inteiro de entrevistas. Eu tinha meu terno favorito lavado a seco e pronto para ir. Eu levei a minha filha mais velha (uma notória má dorminhoca) para a casa dos meus pais, para que eu pudesse contar com uma noite de sono completa. Eu até mesmo fiz um ensaio do percurso desconhecido para o escritório no domingo antes da minha entrevista. Eu estava pronta para qualquer coisa.

Ou era o que eu pensava. Na noite anterior à entrevista, minha filha mais nova, que normalmente dorme como uma pedra, começou a dentição e chorou continuamente. Longe de estar bem descansada na parte da manhã, de alguma forma consegui fazer um buraco no terno quando eu tentei cortar o embrulho do plástico de limpeza a seco. Com o meu segundo terno favorito, eu saí pela porta com as minhas direções do trajeto em mãos (isto foi pré-GPS!). Infelizmente, o mapa me levou para uma rota pesadamente engarrafada – algo que eu não tinha encontrado em meu ensaio de percurso no domingo. Depois de ficar no transito de para-choques contra para-choques, eu cheguei à entrevista com certamente meia hora de atraso – e seriamente irritada com a minha série de contratempos.

Em retrospectiva, eu posso rir do que aconteceu (especialmente porque que eu consegui o emprego), mas também percebo que eu tinha focado em todas as coisas erradas: logística e detalhes em vez do essencial. Esse erro poderia ter arruinado facilmente o que seria uma das oportunidades de emprego mais importantes da minha carreira.

O estresse a respeito de entrevistas de emprego parece um dado para a maioria de nós. E muitas vezes não facilitamos para nós mesmos já que nos dirigimos para estes momentos críticos com apenas uma escassa quantidade de preparação. “Mesmo as pessoas relativamente inteligentes não se preparam muito bem para entrevistas”, diz John Lees, autor de The Interview Expert: How to Get the Job You Want. Em vez disso, nós improvisamos. E isso acaba nos deixando nervosos justamente no momento em que mais estamos tentando impressionar. E, como Lees ressalta, “o nervosismo está intimamente relacionado ao desempenho inferior”.

Então, como você controla o stress inevitável de uma entrevista de emprego e prepara-se corretamente?

“Prepare-se ainda mais minuciosamente do que você acha que é necessário”, Lees aconselha. Você pode ser perfeitamente qualificado no papel, mas apresentar o seu melhor eu na sala de entrevista – alguém que está energizado e relaxado e seja fácil de trabalhar – é o desempenho ensaiado. Aqui está como Lees aconselha você a evitar o nervosismo na entrevista:

Desenvolva um script real. A maioria das perguntas de entrevista é totalmente previsível, diz ele. Você provavelmente pode rascunhar as 10 ou 12 coisas que você será perguntado. Porque devemos contratá-lo? Por que você se encaixa nesse papel? Eu observo algumas lacunas no seu currículo … e assim por diante. Pratique respostas para essas perguntas. Realmente diga as em voz alta. Não é o suficiente apenas pensar sobre como você vai responder grosso modo. Lees chama isso de “falsa preparação”. Realmente faça. “É praticamente a construção de pequenas narrativas”, diz Lees, para que você tenha respostas prontas e você estará livre para estar muito mais presente na sala de entrevistas. Além disso, você provavelmente dará respostas muito mais sucintas e impressionáveis. Lembre-se que o entrevistador precisa aprender um bocado sobre você em um curto espaço de tempo. Se você divagar com uma ou duas respostas, você poderá usar todo o seu tempo e você correrá o risco de se sair como um chato egoísta.

Prepare-se para as perguntas que você quer evitar. Se houver algo em seu currículo que você prefere não destacar, as chances são de que o seu entrevistador ficará curioso a respeito. Você terá uma chance melhor de mover-se rapidamente pelo tópico se você praticar sua resposta antecipadamente. “Mantenha-a curta e otimista”, Lees aconselha. Digamos que você foi demitido. Você pode dizer algo como: “Como centenas de outras pessoas, eu perdi minha função quando a empresa reduziu o quadro. Mas isso me deu uma chance de olhar para as habilidades que desenvolvi e identificar novas áreas de crescimento.” Mude sua resposta do passado para o presente e manter a conversa em um lugar confortável.

Se você for jogado em um “loop” por uma pergunta, pare um minuto para pensar sobre como você vai responder antes de respondê-la. Introvertidos, Lees aponta, muitas vezes precisam de tempo para processar uma pergunta. Você pode ganhar tempo resumindo a questão ou esboçando-a do seu próprio jeito. “Essa é uma ótima pergunta. Quando eu responder, vou discutir … “A pior coisa que você pode fazer é agir ou parecer nervoso. Isso comunica incompetência. Se você precisar, diga ao entrevistador: “Deixe-me pensar sobre isso por um minuto …” e, em seguida, apenas responda quando estiver pronto.

Certifique-se de que você está realmente ouvindo. Quando as pessoas estão nervosas, elas tendem a se concentrar em si mesmas, o que elas estão dizendo, como elas estão respondendo. Porém, a ansiedade pode ser um bloqueador que impede você de ouvir, ou faz você perder algo vital que seu entrevistador acabou de perguntar. Tente desacelerar-se, tendo respirações lentas e focando as palavras do entrevistador, não as suas ruminações. Se for uma pergunta complicada, é OK repeti-la e, em seguida, perguntar: “Eu entendi isso direito?” Antes de começar a responder.

Invente uma conferência por telefone para se dar uma pausa. Um dos meus ex-chefes uma vez deu uma excelente dica. Se você está agendado para entrevistas consecutivas, informe ao seu contato com antecedência que você tem uma conferência por telefone que você deve participar e pergunta se existe uma sala privada para você fazer isso. Isso permitirá que você tenha uma pequena pausa da intensidade de estar “ligado(a)” por várias horas seguidas. Este truque é especialmente útil para os introvertidos, mas pode ajudar qualquer um que pode igualmente sentir-se esgotado(a) de um longo cronograma de entrevistas (e quem não fica?).

Faça um “pre-script” de suas próprias perguntas. Você sabe que será perguntado pelo entrevistador se tem alguma dúvida. “Não” é sempre a resposta errada. Tenha uma ou duas boas perguntas prontas sobre o futuro da companhia ou sobre o futuro da posição sobre a qual você está sendo entrevistado (a).

Peça a um amigo de confiança para simular uma entrevista com você – e grave-a. Se há alguém em sua vida com experiência de entrevistas no mundo real, peça-lhe para praticar com você. Mas vocês dois têm que levar isso a sério. É um ótimo ensaio. Lees sugere a gravação em vídeo da entrevista (sua câmera do telefone provavelmente fará está proeza) – e, em seguida, assisti-la sem o som. A linguagem corporal pode ser um componente crítico de sua entrevista e “você verá como se apresenta”, diz ele. Com a prática, você tem a chance de observar e corrigir suas mensagens não-verbais antes de você estar na berlinda.

Naturalmente, estar nervoso é normal, mas não ignore o nervosismo. Em vez disso, esteja tão pronto quanto possível, fazendo o trabalho da entrevista bem antes de entrar na sala, diz Lees. E ele sugere que você ignore qualquer um que tente acalmar seus nervos dizendo-lhe “Apenas seja você mesmo.” É claro que você quer ser autêntico, mas você não quer apresentar uma versão ansiosa e de palma da mão suada de si mesmo. Você quer ser a melhor versão de você – calmo, confiante e preparado.

Karen Dillon é a ex-editora da Harvard Business Review e co-autora de Competing Against Luck: The Story of Innovation and Customer Choice (HarperBusiness/HarperCollins, October 2016).
Texto traduzido por: Thaís Canto
Texto original em inglês publicado por Harvard Business Review: Acesse aqui

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Praticando o que aprendeu!

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Crédito da Imagem: Pixabay


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[SUPERELA] Será que os sonhos que você busca são realmente seus?

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Alguma vez você já parou para se perguntar se os sonhos que você busca são realmente seus? A resposta pode parecer óbvia. Se você está buscando realizar um sonho, ele deveria ser seu, correto? Errado! Ou melhor, nem sempre. Acredito que os sonhos existam para serem realizados. Porém, precisamos diferenciar os sonhos que são nossos de verdade, daqueles que resolvemos abrigar e buscar por serem sonhos e/ou expectativas de pessoas importantes para nós, como nossa família.

Muitas vezes passamos anos de nossas vidas perseguindo fortes desejos que possuímos, mas na verdade só queremos dar satisfação para quem nos importamos ou provar que fomos capazes de realizar determinado objetivo. No fim, essa realização não nos completa, realiza ou deixa feliz como esperávamos. Precisamos estar atentos e perceber se estamos realmente buscando uma realização para nós ou para os outros. Não há problema em querer realizar um sonho de outra pessoa desde que ele seja seu também e você saiba exatamente o que está buscando. O perigo reside quando essa busca se torna uma jornada sem fim. Quase igual a já conhecida imagem do burrinho que corre atrás da cenoura.

Imagine a seguinte situação: seus pais dizem para você que sonham em te ver bem sucedido na área jurídica e você resolve perseguir esse sonho (deles). Só tem uma questão que você não parou para questioná-los ou se questionar. O que exatamente significa ser bem sucedido na área jurídica?. Se você não os questionou, mas deseja fazê-los feliz, você buscará incessantemente ser um juiz, pois, provavelmente, é o que eles estão esperando (isso é o que você imagina).

E essa falta de clareza sobre o seu objetivo faz com que você avance cada vez mais para conquistar algo que pode não fazer o menor sentido para você e talvez nem para eles. Pode ser que eles só esperavam que você fosse um advogado com muitos clientes. Ou talvez eles só quisessem que você fosse um profissional feliz, com uma boa remuneração e achavam que uma formação em direito traria isso mais rapidamente. Percebeu o que acontece quando buscamos realizar uma expectativa alheia que nem sabemos exatamente qual é o valor ou limite? Até a busca por uma “boa remuneração” pode ser uma busca sem fim. O que isso representa em números? A “boa remuneração” te dará poder de consumir exatamente o que ou quanto por mês ou ano?

Texto originalmente publicado no site Superela. Continue lendo aqui!

Crédito da Imagem: Pinterest


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[Entrevista] para o canal Difícil Início

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Entrevista realizada pelo canal Difícil Início onde contei um pouco sobre minha trajetória profissional, expliquei um pouco sobre coaching e dei dicas para quem está buscando emprego.


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Como conseguir o emprego dos sonhos

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Participei de um evento do Superela junto com outras profissionais de lá.

O tema deste evento foi: Como conseguir o emprego dos sonhos

Conversamos sobre:

– Como agir em entrevistas e processos seletivos
– Como descobrir quais são seus objetivos profissionais
– Quais os passos a seguir para mudar de carreira ou se desenvolver nela
– Como evitar a demissão

Para ver tudo o que rolou, assista o vídeo abaixo:


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Alguns conselhos aos jovens que estão desempregados

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Segundo o IBGE, o desemprego entre os jovens é de quase 21%. E não há perspectivas de uma rápida melhora. A nova geração encara desafios que a maioria das pessoas vivas nunca viu. Essa situação requer novas estratégias de adaptação.

O que se segue, então, é uma carta de conselho aos trabalhadores jovens.
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Caros jovens trabalhadores,

Mesmo se não existisse a atual recessão econômica, você ainda assim estaria tendo de lidar com um mercado difícil. E o motivo é um só: você está entrando no mercado de trabalho praticamente sem nada a oferecer.

Nossa sociedade, há muito tempo, decidiu que era melhor para você passar 16 anos da sua vida sentado inerte em um banco escolar a tentar ganhar experiência real de trabalho no mercado, algo que o ajudaria a ter um emprego mais tarde.

Ainda que o governo lhe permitisse trabalhar quando você já o fosse capaz — ou seja, a partir dos 12 ou 13 anos de idade —, o fato é que ele impôs leis de salário mínimo que criam uma barreira à sua entrada no mercado de trabalho, impedindo que você concorra com pessoas mais qualificadas. Se o preço mínimo a ser pago é o salário mínimo estipulado pelo governo, então quem irá contratar você em vez de uma pessoa mais velha e mais qualificada?

Não bastasse tudo isso, ainda lhe disseram que, se você concluísse o colégio e se formasse em uma universidade, teria um emprego ótimo, com um alto salário.

E então a realidade chegou e você descobriu que os empregadores não estão interessados em você. Você começa a sentir que os empregadores pensam que você tem poucas habilidades e qualidades que realmente interessam a eles, além de não ter nenhum histórico comprovado de produção de bens e serviços que realmente interessaram a alguém.

Eis aí a raiz do problema. As pessoas mentiram para você por toda a sua vida.

Quando você era criança, você foi bombardeado com slogans sobre igualdade para todos. O impulso de competir e vencer foi reprimido em seus jogos de infância, ao passo que compartilhar e cuidar dos outros foi exaltado como sendo uma qualidade acima de quaisquer outros valores.

Então, em algum momento — quando você tinha entre 7 e 10 anos de idade —, algo mudou. Todo aquele papo sobre compartilhar e cuidar acabou, e um mundo hipercompetitivo surgiu. Exigia-se que você obtivesse notas altas, fosse excelente em matemática e ciências, fosse perfeitamente obediente, e ficasse na escola o maior tempo possível. Foi-lhe dito que, se você fizesse isso, tudo daria certo para você.

E, de fato, dá certo para alguns. Mas somente uma pequena minoria de pessoas está disposta a tanta submissão e aprendizado robótico. E, mesmo entre essas pessoas, nem todas conseguem o que lhes foi prometido. Já para o resto, não há planos. Espera-se apenas que aquelas que fracassaram em algum momento irão recuperar por conta própria, de alguma maneira.

Como você supera isso? Tudo se resume ao trabalho remunerado. Mas há a barreira que erigiram entre você e o seu objetivo. Você tem o desejo e está procurando por alguma instituição que valorize o que você tem a contribuir. Mas você não consegue encontrar a recíproca.

Considere isso: por que uma empresa contrata um empregado? A resposta é simples: empresas contratam porque acreditam que o negócio terá mais lucro com o empregado do que sem ele. A empresa lhe paga, você faz seu trabalho e, como resultado, há maiores ganhos do que haveria sem você.

Mas pense bem no que isso significa. Significa que você tem de adicionar mais valor à empresa do que recebe dela. Para cada real que você ganha, você tem de fazer com que a empresa ganhe um real mais algo extra. Essa tarefa não é fácil. Empresas têm custos a cobrir além do seu salário. Por exemplo, há o custo do seu treinamento. Adicionalmente, o governo impõe encargos sociais e trabalhistas onerosos. Há toda a carga tributária que incide sobre as receitas e sobre os lucros. Além de tudo isso, há incertezas com as quais ela tem de lidar. Tudo isso representa um fardo adicional à sua contratação pela empresa, que, além de arcar com tudo isso, tem de lhe pagar um salário.

O que isso significa é que você tem de ser mais valioso do que você pensa. Por que os empregos que pagam salário mínimo são tão duros? Porque é difícil para um trabalhador inexperiente valer mais do que lhe é pago. O empregador tem de extrair o máximo de valor possível dessa relação dele com você apenas para fazer com que essa relação traga a ele algum ganho. São grandes as chances de você estar dando prejuízo para a empresa nos primeiros meses de emprego, simplesmente porque você ainda não está treinado. Você acaba se esforçando como um louco apenas para ganhar o mínimo.

Se você já entende essa regra — que você deve adicionar mais valor do que recebe —, então agora você já sabe mais do que a grande maioria dos jovens trabalhadores. E isso lhe dá uma vantagem. Ao passo que todos os outros estão reclamando sobre o excesso de trabalho e o baixo salário, você ao menos já sabe por que está tendo de lutar tanto. Você está produzindo mais para a companhia do que recebendo dela. Fazer isso consistentemente é a maneira de seguir em frente. Na verdade, esse é o segredo da vida.

No entanto, para seguir em frente, você tem de ser, acima de tudo, um jogador. Não será nada bom você se acomodar e esperar que o trabalho certo, com o salário ideal, surja magicamente. Esqueça todas as suas expectativas. Se alguma coisa, qualquer coisa, surgir, você deve aceitar imediatamente. Nenhum emprego é degradante, apesar do que é dito a você. O objetivo é apenas entrar no jogo. Sim, você tem expectativas de salário muito maiores, e você pode alcançá-las algum dia. Mas não agora.

O primeiro passo é entrar no jogo com algum salário, qualquer salário, em alguma área. O medo que tal emprego, qualquer que seja, seja de alguma forma indigno é uma fonte séria de ruína pessoal. Aquelas pessoas que estão dispostas a efetuar a maioria dos empregos “degradantes” são exatamente as mesmas pessoas que futuramente poderão ter uma vida mais confortável. Apenas porque você enxerga aquele emprego como “degradante” não significa que ele não seja valioso para os outros e, especialmente e em última instância, para você.

Você sempre aprende algo com todo e qualquer emprego que você consegue. Você aprende a interagir com terceiros, aprende como um negócio funciona, como as pessoas pensam, como os patrões pensam, e percebe na prática que aqueles que são competentes vão muito mais longe em relação àqueles que falham. Trabalho é um aprendizado contínuo, tanto quanto — ou até mais que — a escola.

O principal medo das pessoas é que seu trabalho irá, de alguma maneira, definir suas vidas. Consequentemente, elas concluem que um emprego de caixa no supermercado irá redefinir ou até mesmo diminuir quem elas são. Essa noção é completamente falsa. Aquele trabalho é um tijolo em sua fundação.

Para conseguir qualquer emprego, você tem de fazer mais do que apenas deixar um currículo ou enviar um pela internet. Você tem de se destacar na multidão. Isso significa que você tem de se vender como uma mercadoria de qualidade. Você tem de fazer propaganda de si mesmo (e o marketing é o aspecto menos valorizado e ainda assim o mais crucial de todos os atos comerciais). Isso não é degradante; isso é uma oportunidade. Descubra tudo o que você conseguir sobre a empresa e seus produtos. Depois de solicitar o emprego, você tem de voltar ao local várias vezes, se encontrar com os gerentes, se encontrar com os donos — tudo com o objetivo de mostrar a eles quanto de valor você irá adicionar à empresa.

Neste novo emprego, o sucesso não é difícil, mas requer disciplina. Apenas siga algumas regras simples. Nunca se atrase. Faça imediatamente tudo aquilo que seu supervisor imediato lhe diga para fazer. Faça mais rapidamente e mais minuciosamente do que ele espera. Quando o trabalho estiver completo, faça algumas coisas inesperadas que adicionem valor ao meio. Nunca reclame. Nunca faça fofoca. Nunca participe e tome parte das politicagens do alto escalão. Seja um empregado modelo. Esse é o caminho rumo ao sucesso.

Tudo isso não se resume a apenas adicionar valor à empresa. É sobre adicionar valor a si mesmo. A era digital nos fornece todos os tipos de ferramentas incríveis para acumular capital pessoal. Crie uma conta no LinkedIn e anexe seu emprego à sua identidade pessoal. Comece a criar e a aglutinar essa rede essencial. Essa rede é algo que irá crescer ao longo da sua vida, começando agora e durando até o fim. Pode ser a mercadoria mais valiosa que você tem além de seu próprio caráter e suas habilidades. Tenha posse de sua experiência de trabalho e faça o seu próprio caminho.

Enquanto estiver fazendo todo esse excelente trabalho, você precisa estar pensando sobre dois possíveis caminhos adiante, cada um deles igualmente viável: progredir nessa mesma empresa ou mudar para outra empresa. Você deve ir para onde é melhor para você. Nunca pare de olhar para seu próximo emprego. Isso é verdade agora e sempre será ao longo de sua vida.

Um grande erro que as pessoas cometem é se envolver emocionalmente em uma instituição. A lei estimula essa atitude ao amarrar todos os tipos de vantagens ao emprego você tem atualmente. Você tem plano de saúde, tempo livre, aumentos salariais regulares, e é sempre mais fácil ficar com aquilo que você já conhece. Mas fazer isso é um erro. O progresso vem por meio de rompimentos, e algumas vezes você tem de romper consigo próprio para fazer esse progresso acontecer.

Estar disposto a renunciar à segurança de um emprego em troca da incerteza de outro dá a você uma vantagem. Pessoas medianas ao seu redor farão de tudo para sacrificar cada princípio e cada verdade em troca dessa sensação de segurança. As pessoas, com poucas exceções, temem a incerteza de um futuro desconhecido e se apegam firmemente à aparente segurança de uma situação já estabilizada. Você pode se livrar dessa propensão, mas isso requer coragem, assunção de riscos, e um ato consciente de desafiar o convencional.

Você deve sempre ver a si próprio como uma unidade produtiva que está sempre no mercado de trabalho. Você pode ir ascendendo de empresa para empresa, sempre melhorando suas habilidades e, portanto, seus salários. Nunca fique com medo de tentar algo novo ou de mergulhar em um novo ambiente de trabalho.

Administrar inteligentemente suas finanças é algo crucial. Nunca viva no mesmo nível de sua renda. Sempre viva abaixo de sua renda. Seu padrão de vida deve corresponder à sua segunda melhor oportunidade de emprego, aquele emprego do qual você abriu mão ou aquele que você pode aceitar no futuro. Se você se apegar a essa prática — e isso requer disciplina —, você será livre para escolher onde trabalhar e a aceitar maiores riscos. Você também terá um colchão de segurança caso algo dê errado.

Ao mesmo tempo, pode haver vantagens em se manter por um bom tempo na mesma empresa, mesmo se todas as outras pessoas ao seu lado estiverem continuamente se movendo. Se isso acontecer, você ainda assim deve continuar se vendo como estando no mercado. Você está no controle de si mesmo. Não se sinta preso a nenhum patrão, por maior que seja sua gratidão a ele. Mas também entenda que ninguém deve a você um emprego e um meio de vida. Essa é a única forma de fazer julgamentos claros sobre seu caminho na carreira.

Em todo e qualquer emprego, você irá aprender sobre ética humana, psicologia, emoções e comportamento. Boa parte do que você irá aprender será esclarecedor e encorajador. Outra parte, entretanto, pode não ser agradável e pode até mesmo ser um choque para você.

Primeiramente, você irá descobrir que as pessoas em geral são extremamente relutantes em admitir erros. As pessoas irão defender uma opinião ou uma ação até o fim, mesmo que todas as evidências e até mesmo toda a lógica estejam contra. Desculpas sinceras e admissões de erro genuínas são as coisas mais raras deste mundo. No entanto, não há motivo nenhum para exigir desculpas ou em ficar ressentido quando os pedidos de desculpas não surgirem. Apenas siga em frente. Tampouco você deve esperar que seja sempre recompensado por estar certo. Pelo contrário, as pessoas geralmente ficarão ressentidas e tentarão lhe inferiorizar.

Como você lida com esse problema? Não fique frustrado. Não busque por justiça. Aceite a realidade como ela é. Se um emprego não está funcionando, siga em frente. Se você for demitido, não busque vingança. Raiva e ressentimento não trazem absolutamente nada. Mantenha-se focado no seu objetivo, que é o avanço profissional e pessoal, e encare tudo aquilo que possa atrapalhar seu caminho como algo a ser superado e ignorado.

Em segundo lugar, todos queremos acreditar que fazer um bom trabalho e tornar-se excelente em algo irá nos trazer uma recompensa pessoal. Isso nem sempre é verdade. Excelência transforma você em um alvo da inveja daqueles à sua volta que fracassaram em relação a você. Excelência geralmente pode prejudicar suas expectativas de sucesso. A meritocracia existe, e até mesmo prevalece, mas é conseguida por meio de sua própria iniciativa; ela nunca lhe é garantida livremente por algum indivíduo ou instituição. Todo o progresso pessoal e social ocorre porque você sozinho se esforçou e superou todas as tentativas de todos ao redor de você de lhe atrapalhar.

Em terceiro lugar, as pessoas tendem a possuir uma propensão à imobilidade e à comodidade, preferindo seguir ordens e instruções a tomar iniciativas próprias; a maioria das pessoas não consegue imaginar como o mundo ao redor delas pode ser diferente caso elas tenham mais coragem e iniciativa. Se você conseguir criar o hábito de imaginar um mundo que ainda não existe — exercitar o uso da imaginação e da criatividade em um âmbito comercial —, você pode se transformar na mais pessoa mais valiosa ao redor. Você pode estar entre aqueles que podem ser os genuínos empreendedores. Sim, sem exagero, você pode até mesmo criar algo que mude o mundo.

À medida que você for desenvolvendo o uso desses talentos, e à medida que eles forem se tornando cada vez mais valiosos para aqueles à sua volta, lembre-se sempre de que você não é infalível. O mercado de trabalho pune o orgulho e a arrogância, e recompensa a humildade e o espírito de aprendizado. Seja feliz por seu sucesso, mas nunca pare de aprender. Há sempre mais a conhecer porque o mundo está sempre mudando, e nenhum de nós pode saber tudo. O segredo para se prosperar nessa vida é estar preparado não apenas para mudar junto com a vida, mas também para se antecipar às mudanças e conduzi-las.

Do seu ponto de vista atual, desempregado e com poucas perspectivas adiante, seu futuro pode parecer desesperador. Mas essa percepção não é verdadeira. Há barreiras, sem dúvida, mas elas estão lá para ser ultrapassadas por você e somente por você. O mundo não funciona da maneira como lhe falaram quando você era criança. Lide com isso e comece a se envolver com a realidade à sua volta da maneira que ela é, usando inteligência, astúcia e charme. Você é o tomador de decisão supremo, e o seu sucesso ou fracasso em última instância dependerá das decisões que você tomar.

De várias formas, você é uma vítima de um sistema que conspirou contra você. Mas você não irá a lugar nenhum agindo como um coitado e tendo uma mentalidade vitimista. Você não precisa ser uma vítima. Você tem livre arbítrio e autonomia. Com efeito, você tem o direito humano de escolher. Hoje é o dia de começar a exercitá-lo.

Por: Jeffrey Tucker é o CEO do Liberty.Me. É também autor dos livros It’s a Jetsons World: Private Miracles and Public Crimes e Bourbon for Breakfast: Living Outside the Statist Quo

Fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2399

Crédito da Imagem: Pixabay


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